Diferenças entre transporte isotérmico, refrigerado e frigorífico
No transporte de mercadorias sensíveis à temperatura, a escolha do veículo adequado depende das condições de conservação exigidas por cada produto. Um veículo isotérmico…
Partilhar
No transporte de mercadorias sensíveis à temperatura, a escolha do veículo adequado depende das condições de conservação exigidas por cada produto. Um veículo isotérmico limita as trocas de calor graças ao seu isolamento; um veículo refrigerante utiliza uma fonte de frio não mecânica, enquanto um veículo frigorífico incorpora um sistema de produção de frio. Esta tabela apresenta as principais diferenças antes de explicar cada opção.
Tipo de veículo
Função
Como controla a temperatura
Aplicações possíveis
Isotérmico
Isola a caixa de carga para limitar as trocas de calor entre o interior e o exterior.
Não produz frio nem mantém, por si só, uma temperatura determinada.
Mercadorias que necessitam de proteção contra variações térmicas, desde que o isolamento seja suficiente para a operação.
Refrigerante
Combina o isolamento com uma unidade refrigerante ou uma fonte de frio não mecânica.
Utiliza, por exemplo, gelo, placas eutéticas, gelo seco ou gases liquefeitos.
Mercadorias previamente acondicionadas que necessitam de frio e cujas condições de transporte podem ser asseguradas pela capacidade da fonte utilizada.
Frigorífico
Combina o isolamento com um dispositivo de produção de frio.
Utiliza um equipamento mecânico — por exemplo, de compressão — ou uma máquina de absorção.
Produtos refrigerados ou congelados, consoante a temperatura exigida e a classe do veículo.
A temperatura que deve ser mantida depende da ficha técnica do produto e das instruções do fabricante. A escolha do veículo deve também ter em conta a duração do percurso, a temperatura exterior prevista, as aberturas das portas e as condições de carga e descarga.
Características do transporte isotérmico
Um veículo isotérmico dispõe de paredes, portas, pavimento e teto isolados, que limitam a transmissão de calor entre o interior e o exterior. O isolamento não produz frio nem garante que a carga permaneça a uma temperatura constante: reduz as trocas térmicas, mas a temperatura interior pode variar ao longo do tempo e de acordo com as condições da operação.
Para que tipos de mercadorias é utilizado?
Pode ser utilizado para mercadorias que necessitam de proteção contra variações térmicas, mas que não exigem que o veículo produza frio durante o percurso. A adequação deve ser verificada para cada produto e operação; o isolamento, por si só, não substitui a refrigeração quando esta é necessária.
Produtos não perecíveis sensíveis ao calor ou ao frio, desde que as suas condições de conservação permitam utilizar uma caixa isolada sem produção de frio.
Cosméticos, produtos químicos ou componentes eletrónicos que necessitem de proteção contra variações térmicas e cujas especificações não exijam refrigeração ativa. Por exemplo, a logística de produtos de beleza e cosmética deve respeitar as indicações de conservação de cada referência e do respetivo fabricante.
Mercadorias perecíveis apenas quando a temperatura de carregamento, a duração e as condições do percurso permitam manter o produto dentro dos requisitos exigidos sem produção de frio.
Características do transporte refrigerante
Na terminologia do ATP, um veículo refrigerante é um veículo isotérmico que incorpora uma unidade refrigerante ou uma fonte de frio não mecânica. Esta fonte ajuda a reduzir a temperatura da caixa de carga vazia e a mantê-la dentro dos limites da respetiva classe, nas condições de ensaio estabelecidas pelo acordo.
Consoante o tipo de unidade, a fonte de frio pode consistir em gelo, placas eutéticas, gelo seco ou gases liquefeitos, entre outras opções. A capacidade disponível depende da fonte, da sua carga ou recarga, da duração prevista, da temperatura exterior e das condições da operação. Não se trata de um sistema de refrigeração mecânica com compressor, condensador e evaporador.
Para que tipos de mercadorias é utilizado?
Pode ser adequado para mercadorias que necessitam de frio e que são carregadas depois de previamente acondicionadas à temperatura exigida, desde que a unidade refrigerante tenha capacidade suficiente para o percurso e as condições previstas. A escolha deve ser ajustada ao produto e ao período durante o qual é necessário conservar a temperatura.
Alimentos refrigerados, como frutas, legumes, carnes, peixes ou produtos lácteos, quando a fonte de frio e as condições da operação permitam manter os requisitos de conservação do produto. Na logística de produtos de grande consumo, também devem ser considerados os prazos de validade, as operações de carga e descarga e os requisitos de receção.
Outras mercadorias sensíveis à temperatura para as quais o fabricante admita este sistema e seja possível verificar que a unidade refrigerante responde às necessidades do percurso.
Características do transporte frigorífico
Um veículo frigorífico é um veículo isotérmico equipado com um dispositivo de produção de frio, individual ou partilhado por vários veículos. Pode utilizar uma unidade mecânica de compressão — com componentes como compressor, condensador e evaporador — ou uma máquina de absorção. O equipamento permite reduzir a temperatura interior e mantê-la de acordo com as características da classe correspondente.
Para que tipos de mercadorias é utilizado?
O transporte frigorífico é utilizado quando a mercadoria necessita de produção ativa de frio. A classe do veículo e a temperatura de referência devem ser selecionadas em função das condições de conservação de cada produto; não existe um intervalo de temperaturas único aplicável a todos os alimentos ou mercadorias sensíveis.
Produtos refrigerados: frutas e legumes, carnes, peixes e mariscos frescos, leite, iogurtes e outros produtos lácteos. A temperatura concreta deve ser definida de acordo com o produto e os respetivos requisitos.
Produtos congelados: gelados, carnes, peixes, legumes congelados e refeições preparadas que necessitem de permanecer congelados durante o transporte.
Produtos farmacêuticos ou biológicos: apenas quando o veículo, a monitorização e os procedimentos estejam validados para as condições de conservação exigidas pelo fabricante.
Outros produtos sensíveis, como determinados cosméticos, produtos químicos ou amostras, caso as respetivas instruções de conservação exijam refrigeração e o equipamento seja adequado para esse efeito.
Classes de veículos segundo o ATP
O ATP estabelece categorias para os veículos especiais destinados ao transporte internacional de mercadorias perecíveis abrangidas pelo seu âmbito de aplicação. As classes descrevem as características de desempenho dos equipamentos nas condições de ensaio definidas pelo acordo; não constituem recomendações gerais de temperatura para cada produto. A temperatura de transporte deve ser definida de acordo com as características da mercadoria.
Tipo ATP
Classes
O que indicam
Isotérmico
IN e IR
IN identifica o isolamento normal, com coeficiente K ≤ 0,70 W/m²·K; IR identifica o isolamento reforçado, com K ≤ 0,40 W/m²·K.
Refrigerante
A, B, C e D
Com uma temperatura exterior média de +30 °C, as classes A, B, C e D correspondem, respetivamente, a temperaturas máximas de +7 °C, −10 °C, −20 °C e 0 °C.
Frigorífico
A, B, C, D, E e F
As classes A, B e C permitem selecionar, respetivamente, temperaturas entre +12 °C e 0 °C, +12 °C e −10 °C, ou +12 °C e −20 °C. As classes D, E e F correspondem a temperaturas máximas de 0 °C, −10 °C e −20 °C.
As letras que surgem na marca de identificação ATP podem combinar o tipo de equipamento, a categoria de isolamento e a classe. Por exemplo, IN e IR identificam veículos isotérmicos; RNA corresponde a uma unidade refrigerante de isolamento normal da classe A, enquanto FRC identifica uma unidade frigorífica de isolamento reforçado da classe C. Para confirmar a classificação de um veículo específico, é necessário consultar o respetivo certificado ATP válido.
O acordo aplica-se ao transporte internacional de mercadorias perecíveis e às unidades especiais utilizadas nesse transporte. A classificação ATP não deve ser automaticamente aplicada a todos os produtos farmacêuticos, cosméticos ou químicos; para estes, devem ser verificadas as normas e condições específicas de cada mercadoria.
A decisão deve partir das necessidades da mercadoria e das condições reais da operação, e não apenas da designação do veículo. Antes de contratar o transporte, é importante analisar os seguintes aspetos:
Requisitos do produto: consulte a temperatura de conservação indicada pelo fabricante e verifique se o produto deve ser mantido refrigerado ou congelado.
Estado da carga à partida: o veículo de transporte não substitui o arrefecimento ou a congelação prévios do produto quando estes são necessários.
Duração e condições do percurso: avalie o tempo total, a temperatura exterior, a abertura das portas, as paragens e os períodos de espera.
Capacidade do equipamento: verifique se o isolamento, a unidade refrigerante ou o equipamento frigorífico conseguem assegurar as condições previstas durante toda a operação.
Controlo e documentação: determine se é necessário um registo contínuo da temperatura, alarmes, rastreabilidade ou documentação específica.
Certificação aplicável: se a mercadoria e o transporte estiverem abrangidos pelo ATP, confirme que a classe e o certificado do veículo são adequados e estão válidos.
Ao contratar transporte terrestre para mercadorias sensíveis à temperatura, especificar o produto, a respetiva temperatura de conservação e as condições do percurso facilita a escolha do equipamento e o planeamento da operação.